Narrativa Compartilhada

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Como os jogos de narrativa compartilhada podem contribuir para o RPG clássico? Descubra aqui e explore estas ferramentas para envolver ainda mais os jogadores.

Quando Jogadores podem ser Narradores

De um tempo para cá tem ganhado popularidade um tipo de RPG onde a posição do narrador deixa de pertencer a uma única pessoa e passa a ser partilhada entre todos os jogadores, comprometidos não apenas com seus próprios personagens, mas com toda a história. Jogos de narrativa compartilhada (como Fiasco e Violentina) tendem a ser curtos, talvez pela maior facilidade do roteiro sair dos trilhos e a maior dificudade em amarrar o desfecho a longo prazo, mas deixam uma lição valiosíssima para os narradores mais observadores: quanto mais o grupo de jogo pode ajudar a criar o mundo jogado, mais eles estarão afeiçoados à narrativa e comprometidos com a crônica.

Faça um teste. Digamos que um grupo de heróis seja escoltado por dez guardas numa missão ao qual foram contratados pelo senhor daquelas terras, mas ao invés de apresentar quem são esses dez persongens, o narrador pega um caderno e convida os jogadores a criar um nome e uma catacterística distintiva para cada um desses novos coadjuvantes. Em pouco tempo os jogadores terão um pouco do prazer que um narrador possui ao criar uma história, pois juntos todos eles serão responsáveis por aquele grupo de guardas. As chances deles lembrarem mais os nomes de alguns dos guardas e fazer com que seus heróis interajam bem com eles tende a aumentar a olhos vistos. Dessa forma será possível ter um pouco da diversão da narrativa compartilhada e uma maior imersão dos jogadores, mas ainda com um único narrador responsável pelo roteiro.

O único cuidado que o narrador precisa tomar ao permitir que a narrativa seja brevemente transferida para os jogadores é não deixar de aproveitar a contribuição deles na narrativa, sem passar para eles uma responsabilidade que comprometa a diversão da sessão de jogo, afinal esse cuidado é intransferível. Também ajuda lembrar que alguns jogadores podem deixar de lado o exercício criativo e a vontade de contribuir para a história para se aproveitar da oportunidade e apenas criar benefícios aos seus personagens. Com tudo isso em mente, evite abusar dessa ferramenta de narrativa para não comprometer a espontaneidade das contribuições.

Seguem alguns exemplos de situações em que jogadores podem se tornar narradores, geralmente permitindo que cada jogador faça pelo menos uma contribuição.
♦ Numa fortaleza, as construções que ela possui (forja, igreja, biblioteca, caserna, etc.)
♦ As características de uma determinada estalagem (barulhenta, suja, movimentada, mau frequentada, etc.)
♦ Os tipos de crimes mais comuns em uma determinada metrópole (assassinato, corrupção, roubo, etc.)
♦ Cada um dos tripulantes de um drakkar viking (navegador, berzerker, sensitivo, ladino, etc.)
♦ O comportamento de um espírito invocado magicamente (solidário, receoso, perturbado, rude, etc.)
♦ Nos domínios de um lorde, cada ponto geográfico mais importante (cachoeira, floresta, colina, etc.)
♦ Os integrantes do conselho real (sábio, mago, general, bispo, arquidruida, etc.)
♦ Quem possui mais voz nas decisões de um bando de ladrões (assassino, espião, traficante, etc.)
♦ As organizações presentes em um vilarejo (guilda, guarda local, bando criminoso, culto, etc.)
♦ Os povos mais presentes numa determinada comunidade romana (britânicos, pictos, irlandeses, etc.)
♦ Quem são os magos mais influentes numa torre de magia (conjurador, necromante, ilusionista, etc.)
♦ Objetos encontrados numa mochila (bússola, estatueta, pena, adaga, moeda, anel, etc.)
♦ Raças não humanas que fazem fronteira com o país (elfos, orcs, anões, dragonianos, etc.)
♦ Os tipos de personagens numa lista de procurados (rebelde, foragido inocente, bruxo, etc.)
♦ As armas ou armaduras encontradas num baú (espada, cota de malha, escudo, machado, etc.)

Para saber um pouco mais sobre jogos de narrativa compartilhada, veja no blog Pontos de Experiência, do Diogo Nogueira: www.pontosdeexperiencia.com.br/2012/07/um-pouco-sobre-jogos-de-narrativa.html

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